Mark Driscoll é pastor na MarsHill Church, em Seattle, EUA. Trata-se de uma igreja situada numa cidade portuária bastante próspera, onde surgiram, dentre outras coisas, diversas famosas bandas de rock nos anos 80, na região conhecida como Bay Area. Talvez por isso, e por sua fama de progressista, tornou-se bastante avessa ao Cristianismo.
A igreja de MarsHill é voltada para um público jovem, ou assemelhado, e procura usar de diversas linguagens, midiáticas inclusive, para comunicar o Evangelho às pessoas. O lado bom é que a igreja parece adotar uma teologia sadia, até mesmo com uma vertente reformada.
Na pregação acima, publicada no Voltemos ao Evangelho, o pr. Driscoll mostra que TODOS nós somos escravos, no mundo moderno. Ou da cultura, ou da religião, ou dos costumes (ou, ainda, do tempo). Mas nós, cristão, somos chamados à contracultura, para sermos santos e escravos de Jesus. "Santo é a sua identidade, e escravo, seu estilo de vida".
Gosto dessa idéia do cristão como agente de uma contracultura num mundo caído. Um argumento interessante do Mark é que "se todos estão pecando, vivendo cada um como quer, então não há nenhuma rebeldia nisso, é ser comum". Rebeldia é viver para glorificar a Deus, trazendo um padrão de santidade às pessoas.
Esse talvez seja um dos temas centrais da fé cristã. A santificação. Todavia, é um dos mais negligenciados nos dias atuais, pois quando não é simplesmente omitido da mensagem do Evangelho, é apresentado de maneira distorcida. Por exemplo, costuma-se confundir santificação/santidade com moralismo, e são coisas bem diferentes. Embora haja padrões morais estabelecidos na Bíblia, santidade não se resume a um cumprir um punhado de regras do que fazer ou abster-se.
Não. Santidade é o resultado decorrente da justificação através do arrependimento de pecados e fé em Jesus, como filho de Deus e único Salvador. A santificação é o passo seguinte. Consiste em deixar de ser quem eu era para me tornar semelhante ao meu SENHOR. Realiza-se durante toda a vida - como dizia o apóstolo Paulo: "Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus" (Filipenses 3:12) - e requer de nós afirmar, sim, com amor e paciência as certezas da nossa fé mesmo quando isso incomode (torne-se "politicamente incorreto"), sob pena de se ver a fé diluída ("fé líquida", paralelo das idéias de Zigmunt Baumann sobre a nossa época), o processo acabar frustrado e o crente, com a vida vazia e cheia de incertezas.
Não deveria ser um fardo pesado de se carregar, e não é. Se vivo essa santificação e Jesus é Senhor da minha vida, seus ensinamentos e sua vida serão o farol que apontam aonde devo chegar - e não o que a sociedade relativista impõe como correto (espere aí! mas ela não é relativista? como pode impor alguma coisa?). Os aguilhões da nossa alma se voltarão contra nós, pois a sua tendência natural é distanciar-se de Deus. Mas se O buscarmos - lendo a Sua Palavra e falando com Ele -, confiando Nele e não em méritos que não possuímos, o Espírito Santo nos consola, alegra e fortalece a cada momento.
Sobre o vídeo, escolhi uma das partes mais interessantes da pregação. No blog mencionado você pode assistir desde o início. Os argumentos são bastante sólidos e merecem reflexão.
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