domingo, 16 de agosto de 2009

A fé do diabo é maior do que a de muitos teólogos liberais

A frase contundente é de autoria do pastor batista Luiz Sayão. Apesar de não ser o tema central do texto, chamou minha atenção pela coragem. No artigo abaixo, ele critica, nas entrelinhas, a postura imatura de muitas igrejas evangélicas, que se deixam encantar com ondas de "poder" e "prosperidade", bem como dos que pensam ser suficiente o mero conhecimento bíblico-teológico sem piedade. O artigo traz uma argumentação inteligente e merece ser transcrito.

Será que o diabo também é evangélico?

Por Luiz Sayão*


Por que se fala tanto nele?

Não faz tanto tempo, em algumas de minhas andanças, tentei falar de Cristo a um senhor interessado no Evangelho. A conversa estava boa, até que fui interrompido por uma pergunta abrupta: "O senhor pode me explicar por que a minha mulher só fala no demônio"? Assustado, fiquei olhando para ele, que calmamente prosseguiu: "Eu quero saber mais sobre Deus, mas minha mulher, que é evangélica, fala mais no diabo do que em Deus; tudo para ela é o demônio!" Nunca imaginei que fosse me deparar com uma situação dessas. Foi, então, que comecei a pensar: "Será que o diabo é evangélico"? Parece que muitos evangélicos falam tanto sobre ele! Deve haver alguma explicação para isso. Diante de tão estranha questão, imaginei se o diabo seria aceito como membro de alguma igreja. Avaliando muitos textos bíblicos, vejam só o que descobri.

O diabo, ou Satanás, parece estar acostumado a reuniões religiosas, inclusive "na presença de Deus". Em Marcos 1.23 e em Lucas 4.33, vemos que Jesus enfrentou um possesso pelo demônio dentro da sinagoga, num momento de culto. Os religiosos dos tempos de Jesus tinham como pai o diabo (Jo 8.44)! Em Jó 1.6 (e 2.2), fiquei impressionado ao ver que "certo dia os anjos vieram apresentar-se ao SENHOR, e Satanás também veio com eles". Satanás? Numa reunião angelical, diante de Deus? Será que foi por isso que ele levou Jesus para "o pináculo do templo" (Lc 4.9)? Com isso, percebi que o diabo não teria nenhuma dificuldade em freqüentar cultos e participar de reuniões religiosas. O seu histórico o favorece! Será que poderíamos dizer que ele "foi criado no Evangelho"? Talvez não!

Prossegui refletindo e pensei que o diabo talvez viesse a ser um mero freqüentador de igreja, mas não um membro assíduo e comprometido. Depois de ler alguns textos, passei a questionar se isso se comprovaria. Descobri que ele está sempre perto dos crentes, ainda que sempre procurando destruí-los "como um leão" (1Pe 5.8). Ele encheu o coração de Ananias (At 5.3), inspirou as palavras de Pedro (Lc 16.23) e entrou em Judas Iscariotes (Lc 22.3), que foi chamado de "um diabo" (Jo 6.70). Observem que ele estava no meio dos apóstolos. Para minha surpresa, comecei a pensar que o diabo parece ter estado mais dentro da igreja do que fora!

De repente, imaginei que tinha achado a solução para deixar o diabo fora da igreja. Cheguei a pensar que o diabo não teria poder e que "sinais e prodígios" o manteriam bem longe da igreja. Achei que aí estava a diferença! O diabo não aguentaria uma igreja cheia de "poder e maravilhas". No entanto, que susto tive depois de ler alguns textos!

Vejam só o que encontrei nas Escrituras. É estarrecedor! Descobri que o diabo (ou os seus agentes) é capaz de milagres extraordinários. Os falsos cristos farão "sinais e maravilhas que, se possível, enganariam os eleitos" (Mt 24.24; Mc 13.22); isso é absolutamente confirmado em 2 Tessalonicenses 2.9. Quando cheguei ao Apocalipse, quase fiquei sem dormir; lá vi que o diabo (através da Besta) consegue fazer descer fogo do céu (Ap 13.13), e para piorar, os seus subalternos, os demônios, também entendem do assunto (Ap 16.14). Para minha surpresa, descobri que o diabo poderia facilmente unir-se a um movimento de "sinais e maravilhas". Com facilidade, ele chegaria à liderança.

Foi quando surgiu uma esperança em minhas preocupações. Raciocinando um pouco mais, pensei. Espere um pouco! Já sei! O diabo não gostará de ler a Bíblia, de falar sobre doutrina e muito menos de teologia. Está aí! Ele não poderia ser evangélico, pois seria reprovado numa igreja histórica num simples teste de conhecimento e ortodoxia. Para variar, fui dar uma olhada na Bíblia outra vez. E, mais uma vez, acabei me surpreendendo! Descobri que o diabo anda de Bíblia na mão. Quando foi tentar Eva no Éden, partiu do que "Deus disse" (Gn 3.1). No episódio da tentação de Cristo, mais uma vez, o diabo usou textos bíblicos (Mt. 4.6), e, para a surpresa de muitos, ele usou justamente o Salmo 91 que, supostamente, o assustaria! Além disso, não é difícil descobrir que o diabo tem até fé e passaria num teste de ortodoxia, pois ele e seus subalternos "crêem e tremem" (Tg 2.19). A fé do diabo é maior do que a de muitos teólogos liberais! Duvido que ele tenha dúvidas sobre a inspiração bíblica, a divindade de Cristo e os milagres bíblicos.

Mais do que ninguém, ele sabe que são verdadeiros e autênticos. Por fim, surpreendi-me ao perceber que Satanás também tem interesse por controvérsias teológicas. Não tenho notícias se ele já encerrou a questão relativa ao corpo de Moisés, deflagrada com Miguel há muitos séculos (Jd 9). Fiquei perplexo! Assustado! Seria o "tentador" uma espécie de "irmão de fé"? Não é possível!

A finalidade de nossa reflexão não é receber o diabo como evangélico, numa espécie de "macro ecumenismo trans-infernal". A idéia, sem dúvida, não é essa. Nosso enfoque aqui é mostrar como certas práticas, doutrinas e maneirismos cristãos e evangélicos não garantem autenticidade e genuinidade alguma. Creio que está na hora de peneirarmos muito daquilo que parece cristianismo autêntico, mas não é.

Se examinarmos bem as Escrituras, veremos que o diabo não se encaixa em muitas coisas importantes, e na verdade luta contra elas. Vamos destacar as principais.

O diabo detesta "hermenêutica". Já diziam os escritos barrocos do padre Vieira que "as palavras de Deus mal interpretadas são palavras do diabo". A interpretação que o diabo faz do Salmo 91 é absurda e não pode ser aceita.

O diabo tem problemas com oração (Ef 6.11,12,18). Com certeza, ele deseja que a igreja desista de orar.

O diabo detesta o ensino correto (1Tm 4.1-3). Ainda que ele não possa negar a realidade do Evangelho, seu interesse é que a igreja despreze a boa doutrina e abrace a heresia. Ele sabe que a doutrina errada destrói a igreja.

O diabo luta contra a evangelização do mundo (Mt 13.19). A igreja que evangeliza e faz missões incomoda o inimigo de Deus.

O diabo deseja e trabalha para que os cristãos pequem contra Deus e não se incomodem com isso. "Aquele que pratica o pecado é do diabo", afirma João, ao se referir aos hereges imorais que perturbavam a igreja cristã do primeiro século.

Ufa! Que bom! Finalmente, podemos confirmar que o diabo não é evangélico. No máximo, ele é pseudo-evangélico. Agora que o diabo está "devidamente desenvangelicizado", falta apenas que a vida dos evangélicos esteja cada vez mais longe de um "paradigma diabolizado".

(*) É lingüista e hebraísta pela USP e vencedor do prêmio Abec 2003.

Fonte: Revista Enfoque Gospel, Ed. 63 - Out/2006.

domingo, 14 de junho de 2009

Cansados de Religião

Por rev. Leandro Lima

O Brasil experimentou nas últimas décadas um impressionante crescimento da igreja evangélica. Se até bem pouco tempo atrás, a maioria das pessoas nunca tinha pisado em uma igreja, hoje, milhões vão aos cultos todos os Domingos. O movimento evangélico está se tornando algo grande e respeitável influenciando a política, os costumes e até o comércio. Dificilmente poderíamos avaliar o quanto, sem dúvida, isso é positivo e quantas vidas encontraram a paz com Deus por causa dessa abertura que, acreditamos foi realizada pelo Espírito de Deus em nosso país. Por outro lado, o crescimento do número das pessoas que estão decepcionadas com as igrejas, com os pregadores e com tudo aquilo que tem a ver com o mundo evangélico também é assustador. Uma das razões é que não faltam abusos e pessoas más intencionadas que viram nesse crescimento do movimento evangélico um ótimo “negócio” e uma oportunidade de lucro. Esse é um fato que não deve ser ignorado. Mas talvez o problema maior seja justamente o despreparo dos líderes. Bem intencionados, mas terrivelmente equivocados, muitos líderes acabam usurpando um poder espiritual sobre as pessoas e ensinando e praticando coisas absolutamente incompatíveis com a Palavra de Deus. Os resultados estão aí. Decepção, confusão, escândalos e todo tipo de coisas que trazem um enorme prejuízo à causa do Evangelho no Brasil.

Sem dúvida, podemos ver um frescor renovador quando denominações gigantes como a Assembléia de Deus, estão cada vez mais investindo em teologia e literatura de boa qualidade. Isso abre excelentes expectativas para o futuro, mas é preciso colocar o pé no chão e perceber que no presente a situação é bastante crítica. Ondas e mais ondas de pessoas abandonam os espetáculos de cura e prosperidade das igrejas carismáticas absolutamente decepcionadas com Deus, com o coração e os bolsos vazios. Foram estimuladas a acreditar que se dessem aquela oferta, cumprissem mais aquele ritual, fossem até aquele pregador, veriam a situação de sua vida resolvida. Fizeram tudo, mas não funcionou. Por isso, cansaram de religião.

Religião pode ser algo muito cansativo. Jesus mais do que ninguém sabia disso. Certo dia, ele fez um convite um tanto quando inusitado para as pessoas que o ouviam: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11.28-30). Não se engane com as aparências, Jesus não estava fazendo um convite para as pessoas que estivessem cansadas do trabalho depois de uma longa jornada. Ele não as estava chamando para que dessem uma paradinha. Nem estava aconselhando pessoas sobrecarregadas por causa da tarefa de carregar objetos pesados de um lado para o outro para que tomassem um refresco. Ele estava se dirigindo para pessoas que estavam cansadas e sobrecarregadas por causa da religião. Aquelas pessoas estavam cansadas e oprimidas de tanto tentarem agradar a Deus do modo errado. Eram homens e mulheres desfalecendo espiritualmente (e até fisicamente) tentando cumprir uma religião vazia de Deus, mas cheia de regulamentos que os líderes da época tentavam empurrar goela abaixo.

Tentar cumprir requisitos religiosos pode ser algo terrivelmente opressor para a vida das pessoas. Era assim com os judeus. A religião judaica tinha se tornado um terrível peso para o povo que não encontrava nela alívio para o seu sofrimento e muito menos respostas para as suas dúvidas. Aquela religião servia apenas como uma forma de pressionar as pessoas a fazerem aquilo que seus líderes diziam que elas precisavam fazer. Não trazia alívio nem benefício algum para as pessoas, só mais sofrimento e culpa. O único modo de uma religião assim manter seus fiéis é pelo fanatismo.

O judaísmo dos dias de Jesus havia distorcido a bela e revigorante religião do Antigo Testamento. A religião herdada de Abraão e renovada por Moisés estava longe de ser opressora, antes de fato era uma religião libertadora1 . Para Abraão ela abriu novos horizontes do mundo e da existência. Para Moisés, ela trouxe libertação da escravidão e da terrível mesmice da idolatria. Até mesmo antes deles, para Adão, ela mostrou que o Deus verdadeiro não é aquele que fica passivamente esperando que suas criaturas o agradem por seus próprios esforços, mas é o Deus que deixa os céus vai à busca de sua criatura perdida e ferida, para resgatá-la e trazê-la novamente a um estágio de pleno relacionamento com Ele. Mas nos dias de Jesus, a deturpação daquela religião trazia cansaço e sobrecarga para o povo. Apesar de todo o esforço das massas em obedecer a o que os líderes mandavam, elas não conseguiam estar em paz com Deus.

Em sintonia com isso, podemos dizer que há dois tipos de cristianismo opressor em nossos dias: o cristianismo da troca e o cristianismo da troça, com o perdão do trocadilho. O primeiro é o do tipo legalista que vai desde aquelas igrejas que insistem em usos e costumes como essenciais para a vida cristã até os mais modernos e onipresentes tele-evangelistas que estão sempre dizendo que as pessoas devem fazer algum tipo de “negócio” com Deus para serem abençoadas (a palavra é “prova”). O segundo é o do tipo liberal que julga ter alcançado um nível de conhecimento superior e, por isso, ridiculariza aqueles que considera inferiores e apegados às coisas insignificantes da fé. Esses últimos vivem liberalmente sem impor limites aos seus próprios pecados, confiando num Deus amoroso que não vai condená-los por nada. O primeiro tipo cria pessoas cansadas e sobrecarregadas por causa dos fardos dos legalismos, que geralmente os líderes impõem sobre os seguidores, mas a exemplo dos fariseus, nem com um dedo o querem mover. O segundo tipo cria pessoas irônicas e cínicas, mas também cansadas e esgotadas por carregar seus próprios pecados tentando justificá-los para si mesmas, vivendo frequentemente num jugo desigual com o mundo pecaminoso. Isso nos mostra que o “cristianismo” de nossos dias pode ser o último lugar onde alguém possa encontrar “descanso para sua alma”.

As duas expressões que Jesus utilizou para descrever a situação das pessoas em relação à religião são muito interessantes. Cansado tem a idéia de trabalhar até o ponto da extrema exaustão. Sobrecarregado reforça a idéia de cansaço, mas acrescenta que esse cansaço já vem há muito tempo, como alguém que está há muito tempo carregando um fardo pesadíssimo. De fato, aquelas pessoas estavam há muito tempo carregando o terrível fardo da religião centrada no “eu”.

Jesus percebeu que o caminho dos escribas e fariseus além de ser absolutamente inútil era cansativo demais. Há pessoas demais hoje em dia trilhando esse mesmo caminho. Continuam pensando que podem agradar a Deus através de seus sacrifícios pessoais e de suas boas obras. Olhe para essas pessoas que vão às chamadas romarias, elas caminham longas distâncias, sobem incontáveis degraus, deixam de comer e beber, se sacrificam para agradar aos santos a quem são devotos, mas só conseguem mais canseira. Evangélicos também sabem fazer isso. Alguns freqüentam nove semanas ininterruptas de oração para conquistar a bênção tão almejada. Outros depositam todo o salário do mês, vendem seus carros e casas para entregar o dinheiro a líderes pouco confiáveis, porque desejam agradar a Deus, e conseguir algo mais dele. Que canseira! Mas isso não é cansativo apenas para os corpos, o que é pior é que é cansativo para as almas. Lá no fundo, essas práticas jamais conseguem infundir a verdadeira paz de espírito. Estão equivocadas porque falham em entender Deus e sua graça.

Evangélicos mais tradicionais, muitas vezes, criam uma religião cansativa também. São tantas reuniões, tantas atas, tantos departamentos, tantos documentos, tantas atividades! O mais triste é que toda essa movimentação, frequentemente, é um fim em si mesmo. O intuito é apenas “manutenção” de um sistema morto. Não contribui para a evangelização, não contribui para o crescimento espiritual, antes contribui apenas para que os crentes fiquem cada vez mais burocratizados e apegados às coisas secundárias e não às pessoas. Guardar tradições pode se tornar algo muito cansativo, principalmente quando ninguém mais sabe para que as tradições servem. Quando você olha para uma igreja e vê que as pessoas lá estão apegadas demais aos costumes, às tradições, aos objetos, aos utensílios, etc., é porque a graça e a misericórdia está esquecida. E quando a graça e a misericórdia são esquecidas a alegria vai embora. Só resta fanatismo. E fanatismo só produz tristeza e cansaço.

Entendendo que aquelas pessoas estavam cansadas de religião, Jesus fez o convite da graça. Ele disse: “vinde a mim”. MacArthur notou que “salvação não é um credo, uma igreja, um ritual, um pastor, um sacerdote, ou qualquer outra coisa humana”2 . Salvação é ouvir um convite e aceitá-lo. É ouvir o criador e redentor chamando. O convite soa como o de um pai chamando o filhinho cansado para descansar em seu colo.

Jesus chamou as pessoas para si mesmo. O “vinde a mim” de Jesus está em contraste com o “faça isso” dos fariseus e escribas. Ao invés de chamar as pessoas para a observância de um padrão de comportamento, Jesus as está chamando para um relacionamento. A graça pressupõe relacionamento. Era assim no Antigo Testamento em relação à Aliança divina. O meio de salvação através da Aliança significava um profundo relacionamento com Deus, como o de Enoque que “andou” com Deus (Gn 5.24), o de Abraão que foi chamado “amigo de Deus” (2Cr 20.7; Tg 2.23), ou o de Davi que ficou conhecido como o homem segundo o coração de Deus (At 13.22).

Deus sempre quis lidar com os homens sob um pacto, um acordo entre duas partes. “Eu serei o seu Deus e você será o meu povo”, Deus falou para Israel (Jr 32.38, Ez 14.11, Hb 8.10). “Eu sou o mestre e vocês são meus discípulos”, Jesus falou para os novos convertidos (Jo 13.13, Mt 10.24). Nesse relacionamento é que podemos aprender a viver uma vida significativa. Jesus quer nos ensinar o segredo de uma vida plena, que somente pode ser desfrutada na presença dele, em contínuo crescimento, aprendizado e amor. Por isso, a religião das “provas”, de barganhas e negócios com Deus não tem a menor chance. O liberalismo moral igualmente está condenado. Jesus quer relacionamento. É para isso que ele está nos chamando. Para uma vida de fé e alegria em sua presença.

1 É claro que a religião do Antigo Testamento deve ser vista em se aspecto progressivo. Ela não era a revelação final sobre a vontade e os propósitos de Deus, pelo contrário, sob muitos aspectos apenas o início dessas coisas. Portanto, não se pode olhar para o Antigo Testamento sem se esquecer que sua finalidade principal é apontar para Cristo e revelar a grandiosidade de sua missão dentro do eterno plano de Deus.
2 John F. MacArthur, The MacArthur New Testament Commentary. Chicago: Moody Press, 1983. Mt 11.28.

Fonte: Blog da IP Santo Amaro

terça-feira, 5 de maio de 2009

O outro lado da moeda do Legalismo

Antinomianismo: irmão gêmeo do Legalismo
por R. C. Sproul

Jo 14.15; Rm 3.27-31; Rm 6.1,2; 1 Jo 2.3-6; 1 Jo 5.1-3

Há um antigo verso que serve para ilustrar bem o tema antinomiano. O verso diz: “Livre da lei, que maravilhosa condição, posso pecar quanto quiser e ainda alcançar a remissão“. Antinomianismo significa literalmente “antilei”.

Ele nega ou diminui a importância da lei de Deus na vida do crente. É o oposto da heresia gêmea, o legalismo. Os antinomianos cultivam aversão pela lei de várias maneiras.

Alguns acreditam que não têm obrigação de obedecer às leis morais de Deus porque Jesus os libertou da lei. Insistem em que a graça não só liberta da maldição da lei de Deus, mas também nos liberta da obrigação de obedecê-la.

A graça, pois, se torna uma licença para a desobediência. O mais surpreendente é que as pessoas defendem este ponto de vista a despeito do ensino vigoroso de Paulo contra ele. Paulo, mais do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, enfatizou as diferenças entre a lei e a graça.

Ele se gloriava na Nova Aliança. Mesmo assim, foi muito explícito em sua condenação do antinomianismo.

Em Romanos 3.31 ele escreve: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.”. Martinho Lutero, ao defender a doutrina da justificação pela fé somente, foi acusado de antinomianismo. Ele, no entanto, afirmava com Tiago que “a fé sem obras é morta”.

Lutero discutiu com seu discípulo João Agrícola sobre esta questão. Agrícola negava que a Lei tivesse qualquer propósito na vida do crente. Negava até mesmo que a lei servisse para preparar o pecador para a graça. Lutero respondeu a Agrícola com sua obra Contra o Antinomianismo em 1539.

Posteriormente, Agrícola se retratou de suas idéias antinomianas, mas a questão permaneceu. Teólogos luteranos posteriores afirmaram a visão de Lutero da lei.

Na Fórmula de Concórdia (1577), a última das declarações da fé luteranas, eles relacionaram três utilidades da lei: (1) revelar o pecado; (2) estabelecer um nível geral de decência na sociedade como um todo e (3) proporcionar uma regra de vida àqueles que foram regenerados pela fé em Cristo.

O erro primário do antinomianismo é confundir justificação com santificação.

Somos justificados pela fé somente, independentemente das obras.

Entretanto, todos os crentes crescem na fé ao observarem os mandamentos de Deus - não para granjearem o favor de Deus, mas movidos por uma amorosa gratidão pela graça que já lhes foi concedida através da obra de Cristo.

É um erro grave supor que o Antigo testamento era a aliança da lei e que o Novo Testamento é aliança da graça. O Antigo Testamento é um testemunho monumental da maravilhosa graça de Deus em favor de seu povo.

Semelhantemente, o Novo Testamento está literalmente cheio de mandamentos. Não somos salvos pela lei, mas demonstramos nosso amor a Cristo obedecendo a seus mandamentos. “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14.15.

Freqüentemente ouvimos a afirmação: “O cristianismo não é um monte de normas sobre o que fazer e o que não fazer. Não é uma lista de regras”. Há alguma verdade nesta dedução, visto que o cristianismo é muito mais do que uma mera lista de regras. Em sua essência, o cristianismo é um relacionamento pessoal com o próprio Cristo.

Não obstante, o cristianismo também não é destituído de regras. O Novo Testamento claramente inclui alguns “faça e não faça”. O cristianismo não é uma religião que sanciona a idéia de que todos têm o direito de fazer o que acharem melhor aos próprios olhos. Ao contrário, ele nunca dá a alguém o “direito” de fazer o que é errado.

Sumário:

1. Antinomianismo é heresia que diz que os cristãos não têm qualquer obrigação de obedecer às leis de Deus.

2. A lei revela o pecado, é o fundamento para a decência na sociedade e é um guia para a vida cristã.

3. O antinomianismo confunde justificação e santificação.

4. Lei e graça enchem tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

5. Embora obedecer à lei de Deus não seja a causa meritória da nossa justificação, espera-se que uma pessoa justificada busque ardentemente obedecer aos mandamentos de Deus.

Fonte: http://clubedosleitores.wordpress.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O guia do rebelde para a alegria



Mark Driscoll é pastor na MarsHill Church, em Seattle, EUA. Trata-se de uma igreja situada numa cidade portuária bastante próspera, onde surgiram, dentre outras coisas, diversas famosas bandas de rock nos anos 80, na região conhecida como Bay Area. Talvez por isso, e por sua fama de progressista, tornou-se bastante avessa ao Cristianismo.
A igreja de MarsHill é voltada para um público jovem, ou assemelhado, e procura usar de diversas linguagens, midiáticas inclusive, para comunicar o Evangelho às pessoas. O lado bom é que a igreja parece adotar uma teologia sadia, até mesmo com uma vertente reformada.
Na pregação acima, publicada no Voltemos ao Evangelho, o pr. Driscoll mostra que TODOS nós somos escravos, no mundo moderno. Ou da cultura, ou da religião, ou dos costumes (ou, ainda, do tempo). Mas nós, cristão, somos chamados à contracultura, para sermos santos e escravos de Jesus. "Santo é a sua identidade, e escravo, seu estilo de vida".
Gosto dessa idéia do cristão como agente de uma contracultura num mundo caído. Um argumento interessante do Mark é que "se todos estão pecando, vivendo cada um como quer, então não há nenhuma rebeldia nisso, é ser comum". Rebeldia é viver para glorificar a Deus, trazendo um padrão de santidade às pessoas.
Esse talvez seja um dos temas centrais da fé cristã. A santificação. Todavia, é um dos mais negligenciados nos dias atuais, pois quando não é simplesmente omitido da mensagem do Evangelho, é apresentado de maneira distorcida. Por exemplo, costuma-se confundir santificação/santidade com moralismo, e são coisas bem diferentes. Embora haja padrões morais estabelecidos na Bíblia, santidade não se resume a um cumprir um punhado de regras do que fazer ou abster-se.
Não. Santidade é o resultado decorrente da justificação através do arrependimento de pecados e fé em Jesus, como filho de Deus e único Salvador. A santificação é o passo seguinte. Consiste em deixar de ser quem eu era para me tornar semelhante ao meu SENHOR. Realiza-se durante toda a vida - como dizia o apóstolo Paulo: "Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus" (Filipenses 3:12) - e requer de nós afirmar, sim, com amor e paciência as certezas da nossa fé mesmo quando isso incomode (torne-se "politicamente incorreto"), sob pena de se ver a fé diluída ("fé líquida", paralelo das idéias de Zigmunt Baumann sobre a nossa época), o processo acabar frustrado e o crente, com a vida vazia e cheia de incertezas.
Não deveria ser um fardo pesado de se carregar, e não é. Se vivo essa santificação e Jesus é Senhor da minha vida, seus ensinamentos e sua vida serão o farol que apontam aonde devo chegar - e não o que a sociedade relativista impõe como correto (espere aí! mas ela não é relativista? como pode impor alguma coisa?). Os aguilhões da nossa alma se voltarão contra nós, pois a sua tendência natural é distanciar-se de Deus. Mas se O buscarmos - lendo a Sua Palavra e falando com Ele -, confiando Nele e não em méritos que não possuímos, o Espírito Santo nos consola, alegra e fortalece a cada momento.
Sobre o vídeo, escolhi uma das partes mais interessantes da pregação. No blog mencionado você pode assistir desde o início. Os argumentos são bastante sólidos e merecem reflexão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Versões de "Fonte és Tu de Toda Bênção"

Finalmente encontrei, em português, esta versão do hino. Cantada por Lucas Souza, num arranjo mais contemporâneo, mas vale!




Achei também esta outra versão em inglês, da David Crowder Band, cantando o hino completo... em arranjo com violoncelo! Se você gosta do instrumento, vai adorar...

Evangelho cantado

Como é típico da idade, na adolescência questionei a forma de culto da minha igreja, que às vezes lembrava uma liturgia ("Batista não tem liturgia, tem ordem de culto", já me dizia meu amigo e pr. Lucas Barbosa), devido ao seu formato rígido. Na minha imberbe análise das coisas, achava que o problema estava nos hinos, cânticos entoados há décadas, ou séculos, pelas igrejas protestantes. Especialmente, por serem originários da cultura anglo-saxônica, parecia-me, naquele esquerdismo juvenil, serem os responsáveis por aquele desagrado.

Alguns anos depois, mais maduro, descobri quão redondamente enganado eu estava! Quantas vezes já me vi contrito ou mesmo emocionado diante de tão profundas mensagens contidas na maioria deles. Uma riqueza teológica, uma apresentação correta do Evangelho e uma adoração genuína, como pouco se vê nos cânticos mais atuais.

Não quer dizer que eu não ache importante termos cânticos, digamos, atuais, na adoração comunitária. Ou que uma valorização da musicalidade brasileira seja desnecessária, como já fazia o pioneiro grupo VPC - e alguns remanescentes continuam a criar. Mas beleza poética daqueles hinos ditos tradicionais é muitas vezes difícil de ser igualada - não digo superada, pois poesia e música, como artes criadas por Deus, são eternas.

Um desses é "Fonte és Tu de toda bênção", cujo título original é "Come Thou Font of Every Blessing". Escrito em 1758 pelo inglês Robert Robinson, é um cântico de adoração ao SENHOR por sua graça salvadora, que nos alcança, nos justifica do pecado em Cristo Jesus e sustenta a cada dia. A versão presente na maioria dos hinários protestantes é esta:

Come Thou Fount of every blessing
Tune my heart to sing Thy grace;

Streams of mercy, never ceasing,

Call for songs of loudest praise

Teach me some melodious sonnet,

Sung by flaming tongues above.

Praise the mount! I'm fixed upon it,

Mount of God's unchanging love.


Here I raise my Ebenezer;
Hither by Thy help I'm come;

And I hope, by Thy good pleasure,

Safely to arrive at home.

Jesus sought me when a stranger,

Wandering from the fold of God;

He, to rescue me from danger,

Interposed His precious blood.


O to grace how great a debtor

Daily I'm constrained to be!

Let that grace now like a fetter,

Bind my wandering heart to Thee.

Prone to wander, Lord, I feel it,

Prone to leave the God I love;

Here's my heart, O take and seal it,

Seal it for Thy courts above.


Foi traduzido para o português em 1881, por Justus Henry Nelson, pastor metodista que foi missionário no Brasil no século XIX. Ficou assim:

Fonte és Tu de toda bênção, vem o canto me inspirar
A misericórdia Tua quero em alto som louvar
Ó ensina o novo canto dos remidos lá nos céus
Ao Teu servo e ao povo santo, p’ra louvarmos-Te, Bom Deus

Cá meu Ebenézer ergo*, pois Jesus me socorreu;
E, por Sua graça, espero transportar-me para o céu.
Eu, perdido, procurou-me, longe do meu Deus, sem luz;
Maculado e vil, lavou-me com Seu sangue o bom Jesus.

Devedor à Tua Graça cada dia e hora sou
Teu cuidado sempre faça com que eu ame a Ti, Senhor
O meu ser é vacilante, toma-o, prende-o com amor
Para que eu a todo instante glorifique a Ti, Senhor.

* Em alguns hinários: Ao Senhor eu agradeço.

É claro que a tradução não é literal, para que a métrica fosse mantida, mas ainda assim creio que o conteúdo foi mantido, aquilo que o autor quis expressar. Enquanto não acho uma versão em português, compartilho a 1ª e 3ª estrofes entoadas pelo Jars of Clay - uma pena deixarem a 2ª estrofe de fora, pois contém o a inspiração central do autor, em 1 Sm. 7:12, como adoração pessoal ao SENHOR que o salvou.


terça-feira, 7 de abril de 2009

Mais um terremoto...

Impressiona a quantidade de terremotos nos últimos 20 anos. A BBC Brasil fez um inventário do período, conforme se pode ver na notícia transcrita abaixo.
Percebe-se que a periodicidade vem diminuindo, havendo ocorrências anuais desde 1998 (antes, o intervalo entre um e outro era maior). E em alguns períodos o espaço de tempo entre um e outro é de meses, inferior a um ano.
A ciência se diz incapaz de prever a ocorrência desses eventos, embora tenha avançado, tanto em conhecimento como em instrumentos, extraordinariamente nessas duas décadas.
A Bíblia não é um livro de ciências. Trata-se da revelação especial de Deus ao homem, através de sua intervenção na história humana, tendo como clímax a encarnação do seu Filho, Jesus Cristo. Este, sendo homem e Deus, certa vez disse o seguinte, quando perguntado por seus discípulos acerca do fim do mundo: "Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Mas todas estas coisas são o princípio de dores" (Mateus 24:5-8).
Alguma coisa está fora da ordem mundial, e não é apenas a grave crise econômica. Diante da autoridade de quem disse, não podemos ficar indiferentes.

Cronologia: os mais graves terremotos dos últimos anos


Prédio destruído em Yin Xiu, em Seichuan, na China

Terremoto em Seichuan, na China, fez até 87 mil mortos em 2008

Nos últimos cem anos, os terremotos fizeram centenas de milhares de mortos. Apesar das melhoras na tecnologia capaz de antecipar um tremor, o número de vítimas pouco mudou. Eis as maiores catástrofes recentes:

29 de outubro de 2008

Até 300 pessoas morrem na província do Baluchistão, no Paquistão, depois de um terremoto de 6,4 graus na escala Richter. O epicentro foi a 70 km de Quetta.

12 de maio de 2008

Um terremoto atinge a província de Sichuan, no sudoeste da China. Apenas em um condado da província, até 87 mil pessoas morrem ou são dadas como desaparecidas. Outras 370 mil ficam feridas. O tremor chegou a 7,8 graus e começou na capital da província, Chengdu, no início da tarde.

15 de agosto de 2007

Pelo menos 519 pessoas morrem na província de Ica, na costa do Peru. O epicentro do abalo de 7,9 graus foi no fundo do Oceano Pacífico, a 145 km a sudeste de Lima.

17 de julho de 2006

Um terremoto de 7,7 graus com origem no mar provoca um tsunami que atinge a costa sul da ilha de Java, na Indonésia. Até 200 km de litoral são afetados, matando mais de 650 pessoas.

27 de maio de 2006

Mais de 5,7 mil pessoas morrem quando outro tremor de 6,2 graus atinge a ilha de Java, na Indonésia, destruindo a cidade de Yogyakarta e as regiões próximas.

8 de outubro de 2005

Um tremor de 7,6 graus atinge o norte do Paquistão e a região da Caxemira, matando mais de 73 mil pessoas e deixando milhões de desabrigados.

28 de março de 2005

Cerca de 1,3 mil pesssoas morrem após um abalo de 8,7 graus no mar, perto da costa da ilha de Nias, na Indonésia.

26 de dezembro de 2004

Um tremor de 9,2 graus no Oceano Índico gera um tsunami que atinge vários países da Ásia, matando pelo menos 230 mil pessoas.

26 de dezembro de 2003

Mais de 26 mil pessoas morrem após um terremoto no sul do Irã. A cidade histórica de Bam fica totalmente destruída.

21 de maio de 2003

A Argélia sofre seu pior terremoto em mais de duas décadas. Mais de 2 mil pessoas morrem e pelo menos 8 mil ficam feridas. O abalo é sentido do outro lado do mar Mediterrâneo, na Espanha.

31 de outubro de 2002

A Itália fica abalada com a perda de uma classe inteira de crianças, mortas na cidade de San Giuliano di Puglia, após um tremor que derruba a escola onde estudavam.

26 de janeiro de 2001

Um terremoto de 7,9 graus destróia boa parte do Estado de Gujarat, no noroeste da Índia, matando quase 20 mil pessoas e deixando mais de 1 milhão de desabrigados. Entre as cidades mais destruídas estão Bhuj e Ahmedabad.

12 de novembro de 1999

Cerca de 400 pessoas morrem depois que um tremor de 7,2 graus atinge Ducze, no noroeste da Turquia.

21 de setembro de 1999

Taiwan é atingida por um terremoto de 7,6 graus que mata quase 2,5 mil pessoas e provoca destruição em todas as cidades da ilha.

17 de agosto de 1999

Outro tremor, de 7,4 graus, atinge as cidades de Izmit e Istanbul, na Turquia, deixando mais de 17 mil mortos e outras dezenas de milhares de feridos.

30 de maio de 1998

Um tremor no norte do Afeganistão mata mais de 4 mil pessoas.

17 de janeiro de 1995

O terremoto Hyogo atinge a cidade de Kobe, no Japão, matando 6.420 pessoas.

30 de setembro de 1993

Cerca de 10 mil pessoas são mortas em um tremor que atinge o oeste e o sudeste da Índia.

21 de junho de 1990

Um tremor na província de Gilan, no norte do Irã, mata aproximadamente 40 mil pessoas.

Fonte: BBC Brasil